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Briga por crachá afeta 180 mil pessoas

Confusão entre fiscais da SPTrans e funcionários de viação de ônibus na zona norte fechou cinco terminais e paralisou 80 linhas
 
Renato Machado
 
Uma briga entre dois funcionários de uma empresa de transporte coletivo e fiscais da São Paulo Transporte (SPTrans) fez cinco terminais de ônibus da capital paulista ficarem parados ontem. Cerca de 120 linhas deixaram de circular entre a manhã e a tarde, afetando pelo menos 180 mil pessoas, segundo o sindicato dos motoristas e a SPTrans. A situação só começou a ser normalizada no fim da tarde.
 
Epitacio Pessoa/AE
Protesto. Ônibus parados na Inajar de Souza, onde começou a confusão: fiscal teve fratura no maxilar e dois funcionários foram detidos e levados ao 28º DP (Epitacio Pessoa/AE)
Protesto. Ônibus parados na Inajar de Souza, onde começou a confusão: fiscal teve fratura no maxilar e dois funcionários foram detidos e levados ao 28º DP.

A confusão começou por volta das 8 horas na Avenida Inajar de Souza, zona norte. Um mecânico da empresa Santa Brígida desceu do veículo pela porta da frente e foi seguido por um “fiscal secreto” da SP Trans – a empresa começou a usar agentes sem uniforme em ônibus para flagrar irregularidades. O mecânico teria se recusado a mostrar o crachá por não acreditar que o solicitante era fiscal. A discussão então teve início. Em seguida, surgiram outros dois fiscais à paisana e o motorista do ônibus. E a confusão virou pancadaria. Um dos fiscais teve fratura no maxilar e precisou ser internado. O mecânico e um fiscal foram levados ao 28.º Distrito Policial, na Freguesia do Ó, zona norte, e assinaram um termo circunstanciado.

Motoristas e cobradores de ônibus que passavam pelo Terminal Cachoeirinha avisavam trabalhadores de outros veículos. Por volta das 8h30, eles fecharam o terminal e deram início à paralisação. O Sindicato de Motoristas e Cobradores foi avisado e iniciou um efeito cascata, parando outros quatro terminais: Casa Verde, Pirituba, Santana e Lapa.

Nesse período, os terminais ficaram lotados de ônibus estacionados, com motoristas de braços cruzados. Passageiros tiveram de caminhar até avenidas próximas, na tentativa de encontrar linhas que não haviam sido afetadas. A operadora de supermercados Lidiane Pereira de Araújo, de 28 anos, chegou ao Terminal Pirituba às 11h40 para trabalhar. Até as 14h30, ela esperava um ônibus. “Saí do Jaraguá e precisava pegar um ônibus aqui para chegar a Pinheiros. Mas me disseram que não há previsão de quando os ônibus vão voltar. São 14h30 e eu já deveria estar lá há meia hora.”

As paralisações e protestos terminaram só no fim da tarde, após dez horas de paralisação. A decisão foi tomada após reunião entre o diretor de Operações da SPTrans, coronel Eliziário Barbosa, e os sindicatos de motoristas e cobradores e o dos fiscais de transporte público.

A principal reivindicação dos sindicatos era a suspensão do uso dos fiscais à paisana nos ônibus, que foi atendida durante a apuração dos transtornos de ontem. “A briga foi um acontecimento deplorável, mas foi o estopim para o que veio depois. É tudo resultado de um acúmulo de problemas, que começa pela quantidade de multas sem nenhum critério que está sendo aplicada pelos fiscais”, diz o presidente do Sindmotoristas, Isao Hosogi, o Jorginho.

Greve. Além da presença dos fiscais secretos, o sindicato protesta contra o método de aplicação de multas adotado na capital paulista, o chamado Resam. Esse modelo traz diferentes valores aplicados aos motoristas infratores do que os previstos no Código de Trânsito Brasileiro. “O código diz que um motorista que avança o sinal é multado em cerca de R$ 120. Para os motoristas de ônibus, esse valor é de mais de R$ 700.” Uma assembleia será feita no dia 26 – a categoria ameaça entrar em greve caso o sistema de multas não mude e voltem os agentes à paisana.

A SPTrans nega que tenha intensificado a fiscalização e diz usar atualmente apenas dez fiscais sem uniforme por turno. “A SPTrans fiscaliza as atividades para garantir um transporte público com segurança. Multas são resultado do descumprimento das regras e aumentam à medida que as infrações acontecem”, diz Eliziário. / COLABOROU CRISTIANE BOMFIM e ELVIS PEREIRA

O Estado de São Paulo

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